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Sobre o Amor através dos tempos.

 




Desconheço o amor que não seja doação e sacrifício.
O resto é o pensamento robotizado e banal desde
o primórdio da sociedade bestializada pela
propaganda oportunista de cada época.



***

travessia.

 



eu passarei
outro passará
gerações passarão 
sobre a montanha de pedra
:
um quadro abstrato criado por uma
inteligência artificial.



***

retorno às minhas fantasias.#

 






retorno às minhas fantasias.




ah, 
quanta vida vi escoar no tempo
já nem me lembro de ter sido rapaz
imaginando meu longo experimento
até chegar à  meninice fugaz

ah, 
de quantas querelas
pintei aquarelas e sobrevivi
tantos fracassos chorei 
outros  simplesmente engoli


ah,
 já nem sei se sei
mas se eu pudesse retornar
mudar minhas cóleras
crendo na mansidão por vir
iria dizer a meus ex-amores
o quanto me dói hoje
não ter dado mais de mim
naquele ingênuo sentir
das brincadeiras das  moças 
no sarro do primeiro cigarro
vestindo o jeans do anúncio de tv

ah, 
quem me vê
descrê 
repagina nem imagina
sobre meu sonhar a  um triz
com meus versos de pés quebrados
escritos nas últimas folhas do caderno
escondidos de meus amigos envergonhados
outros tantos desfiz
para não me acharem  diferente do que eu era
tão cordeiro manso tão  fera
no meu tudo efêmero tão eterno

ah,
 contradições vitais
já não posso mais
me esconder entre os milharais
depois duma travessura
medroso da ausência física  de meus pais
deixando-me o vazio de dias  iguais

ah, 
vontade tamanha
quanto me assanha debruçar-me
no ombro amigo a absorver meus ais

ah, 
o quanto me fascinava
correr livre arisco nos temporais
segredar meus desejos a mim
filho de horizontes-ideais
pois eu pensava que seria mais feliz
mais sábio menos aprendiz
em lições de tantos ancestrais
mas quando  refleti
entristeci calei-me
sem sentir-me feliz jamais

ah, 
relógio inclemente
tão querente de minha semente-dor
nunca a  plantei
e se a plantei inocente
foi somente erro de amor
do tempo a roubá-lo na pétala da flor

ah, 
não quero morrer assim
sem dar o máximo de mim
inda quero ver-me numa criança-festança
mesmo no desencanto oposto do sim
quero sim inda  xucro correr moleque
serelepe no estradão vermelho sem fim
ladeado de mangueiras e cachoeiras
aspirar o poeirão do vento som de clarim
e
acordar nas madrugadas
ver os pássaros em revoadas
reacender meu estopim
observar as barcas
romperem sobre o capim
...
fugir deste presente
talvez vencer o jogo
no jogo de viciadas cartas
de bocas estúpidas caladas
quais  brotam e me derrotam
por inda sentir-me  curumim

a escrever passagens sagradas

resistentes ao tempo
no despertar das moradas
onde se escondem minhas marcas


mas a partir de hoje
no hoje meu marco
viverei a magia  de todo dia
sendo velho restolho parco
tão crente na fantasia de merlin
capaz de recolher minha desalegria
reaquecer minh'alma fria
pra recomeçar a viver, enfim


***

Talvez, só talvez...

 






As pessoas existem e subsistem, insistem, esmorecem.

A bolha não tem rolha. O sorriso pela vida é um ato 

virtual. Jogam o jogo, não querem ser atropeladas pela

marmelada da convivência física. Cada um é o todo,

e todos celebram a subsistência de algo que reflui nas

mentes até o último sopro de vida. Talvez a esperança,

travestida de sonhos possíveis, é que mantenha essa

viagem até o último porto, talvez...




***

atrás das pálpebras.







atrás das pálpebras.




atrás das pálpebras, o amor, lisonjeiro,
desfila nas trevas.
haverá outro, tão perdido, que se manifeste
à luz do dia pro louco, enigmático, escondido
sob os disfarces da razão até que o delírio dele
se apodere atirando-o a um corpo onde
enterra, sem desejo, a oferta mais
terrível da vida?


atrás das pálpebras vagam sonhos natimortos,
capazes de moldar olhares funestos e
enfurecidos numa sinfonia de réquiens
dissonantes pela única certeza pendente:
a da inércia dos pulos emocionais
a vazarem em gotas lacrimais no vasto
oceano: espelho da própria existência.


atrás das pálpebras tecem-se teias de
inconformismo, prazeres ineludíveis,
situações indescritíveis de uma prisão
inobservada pelo interior de almas
gravitantes, geradoras da realidade.


atrás das pálpebras mora o esgotamento
de novos experimentos, um dínamo vagaroso
e, talvez,
a libertação de tudo esteja no ato de fingir sobre
coisas e fatos inalcançáveis para, após, somente
se observar a intermitente metamorfose
dos peregrinos de uma certeza única, ou, 
ainda, nichos
de interiores cegos, surdos e
mudos com intuições irrespondíveis.


***



1/3 que me resta viver.

 




 1/3 que me resta viver. 
(a fase descendente)



A carta empoada sem resposta.

A água batismal que, pela dúvida, se evapora.

Diário amarelecido
de folhas enrugadas em branco.

Desmonte do muro de pedras limbosas.
Levante de outro com as mesmas pedras.

Ver de binóculos do alto sem inalar o pó.
E do ponto percorrer a estrada:
Filme que se quer participar de enredo inescrito.


***

Desejo.





Trago teu encanto no olhar,
no desejo crescente de cada pensamento
proibido de prazer e sedução.
Imagino minhas mãos tateando tua pele,
bem devagar, sentindo arrepios em
fuga de teu corpo.
O coração dispara... e a vontade de tê-la
mais perto torna-se insuportável.
Perco a noção do tempo, se já me
entrego à tua boca, ao teu toque,
para nossos corpos conversarem em
silêncio no ritmo intenso,
no particular que só a gente entende.

_Rehgge)


À procura nossa de cada dia.

 



Saiu em busca da felicidade que perdera em algum lugar do passado.
Tardiamente, pensou. Enfim, saiu sem rumo pelas ruas da cidade
com o olhar fixo em cada transeunte.
Na praça, havia alguns palhaços entretendo velhos e moços sorridentes.
Ah, aí está a felicidade, pensou. E ficou ali prostrado, e logo todos
foram se dispersando, cada um com sua fisionomia pela abstração
passageira. E viu que, na verdade, a felicidade era apenas o momento
no qual a gente se esquece de tudo e ri sem querer de algo ou situação
na qual, tal fumaça, se dilui no ar levada pelo vento aos confins...
Voltou para sua casa com a certeza de a vida ser feita de pequeninas
pedras desenhadas numa estrada em branco; dentre elas, há algumas
coloridas, raras, tais respostas ao sucesso. Quando se encontra uma,
o riso é certo: é o momento feliz de gente insistente.
Amanhã sairá de novo para descobrir outra variante de sua procura.




(Rehgge)




O pressentir do epílogo de romagem











Construí meu castelo com algumas ferramentas
Mais areia, cimento
Pá, enxada - suor - colher, martelo
E entre tantas tormentas
Percebi que as grades não prendem a luz do candieiro


Vazam do meu olho interior sentimentos
À presença do belo natural,
As pedras da edificação
Reconstroem a paisagem dos meus olhos
E a projeção vislumbrante inspira meu corpo ao conforto

O velho artesão de instrumentos
Escolhe suas madeiras pela vibração das mesmas...
Os olhos cansados de felicidade
Sugerem a derradeira canção às léguas por que passou


Miro aves nômades
Miro os pedriscos levados pela corrente
Miro meu castelo - o artesão
Miro a canção da vida
Iludida de tanta realidade.


(Rehgge)













.






me fale... (1)




me fale de uma pessoa que nunca quis o paraíso,
e eu te darei o endereço da fonte da juventude.

me fale da fórmula para curar os males mundanos,
e eu te darei a chave da porta eternal.

me fale por que só os loucos sabem amar,
se o amor, para eles, é um ato capaz de 
intimidar a ira extrema, mas também 
causar a revolução, quando, incompreendidos
e descartados, fingem estar mansos para 
desdenhar de sua loucura aparente.
não me fale dos loucos, se você
não é partícipe da loucura.
mas, o que é ser normal?

me fale do giro do catavento, tipo som do tempo,
e iluda-me com aquele mundo intraterreno,
e eu te provarei que tudo é ilusão, tudo é energia,
tudo é reflexo e invisível, e, nosso ciclo
resumir-se-á num epitáfio em algum lugar para ser 
esquecido tal giro do catavento travado pela ferrugem...

me fale de almas bandidas, de pessoas más,
vagantes sem direção, que eu talvez consiga 
te descrever as mesmas como micro estrelas negras
levadas pela lei gravitacional ao vazio da ilusão do firmamento.

me fale que hoje você viu um bêbado gritando pela
calçada, urinando em si, e rindo de sua
desgraça, afinal é na rua, como um desconhecido,
o lugar onde reside sua ideia de liberdade.

me fale, por favor, aí eu te contarei e te mostrarei
o lado dois de todo homem genial, creia,
até eles, assim como nós, têm seus momentos bestas
e se lambuzam e se lambuzaram no idiotário vivencial.



(fim da primeira parte)














Pu e Pá.






se Pu desse
teria dado o Pu
se pudesse

se Pá desce
teria dado a Pu
a pá
se pudesse

Pu padece
se Pá 
a pá
desse


(((











geracional...








olha!
não sei onde
bem lá tem um lugar
lá longe
tá vendo?
se eu lá chegar
estarei próximo do fim
no limiar da paz
o que deixarei pra trás?
sei lá
minha passagem esquecida
sem nunca ter tido um rumo
ah
o que gerei?
a não ser
uma sinuosa rota invisível
sem saber o sentido
do porquê manter-se vivo
...
se
no contexto geral
a despercepção da 'vida que segue'
é ter-se uma abreviação
de dias eternais
de uma vã sabedoria palavreada
e inescrita...

olha!
tá vendo
essa tal morada das almas
fustigando meu inconsciente?
não sei não
mas existe
bem lá
em algum lugar



***








renovo normal.

 






cara e cabelos coloridos
notem
quem quer ser notado

o cinema mudo
em preto e branco
ofusca todas as cores

um tattoo diz mais que um gibi

no final
a juventude vai embora
cai-se na real

o ciclo torna tudo cafona
tipo
 vai e volta de elástico
depois bambeia
kkk


porra
não vou dizer 
"no meu tempo era tudo azul e moderno"

novo sou eu mesmo
há sempre a tendência
penso
de se acompanhar o show da vida
da arquibancada
ou
acompanhar a massa 
idiotizada do novo normal
em que a tecnologia
na verdade
separa as pessoas

quer saber
sem ser saudosista
eu gostava de escrever cartas manualmente

(será tudo um treino de se viver em grupo
e sentir-se cada vez mais sozinho?)


***






prazo de validade.

 







chorar de rir
rir de não chorar

algo prende 
algo solta

duas taças:
a da amargura
a do descarrego

sentimentos podem ser
forjados
manipulados

maquiagem é para os fracos
os fortes têm, sim, duas caras

há a auto blindagem
no âmago de cada um

um túmulo silente
sumo a tornar-se pó



***




poema de Amor

 





NA. 'talvez meu poema de amor mais pungente e que transcende a minha mais eloquente expectativa."








*****






Ó murmúrios das águas claras turbulentas!
Ó espumas flutuantes no vaivém das ondas!
Ó amores fugidios tais barcos na marítima gangorra!
Ó mísera numa ilha cativa na masmorra
Sou o navegante que neste insight tu acalentas
Se, por ti, meus olhos fazem as rondas
Se meu desejo  tua tristeza daí me sondas

Ó oceanos de anos que nos separam!
Ó espaçonaves coloridas de nossas viagens!
Ó miragens grafites de nossa existência!
Ó penitência!
Ó vida efêmera igual tão desigual!
Ó sêmen X sêmen dum ato louco!
Oh! reféns somos desta loucura a nos unir

Rebusco teus traços e abraços
Rabisco na folha minha pueril alma
E jardins edênicos pra ti invento,
De tuas lembranças me aproprio
Planando como gaivotas no céu
Deixando-me solitário ao entardecer
Sob o planger de sinos a despertar-me

Oh, 
Mas serão os pássaros saltitantes deste instante
Sinais sagitais opostos à minha sensatez
Ou talvez
Eu seja o mais frustrado dos Ícaros
À espera dum redemoinho a levar-me  a ti
Pra eterno sentir-me jovem
Se minhas cãs me dizem ver barcos aportados
Na véspera dum sonho que amanhã vou sonhar 
?



**********

VOLVER



VOLVER!

VOU VER



** 


 



escrever é...

 







"Escrever é andar por estradas invisíveis
aonde só o olho interior consegue ver
a onipresente transparência dos
próprios sentidos."




(Rehgge_










***

BREJO DA TABOA





NA - "Saudades dos meus 16 anos quando escrevi este texto!"






BREJO DA TABOA


QUANDO EU ERA MENININHO
MAGRICELO PÉ NO CHÃO
ESTILINGUE NO PESCOÇO
CALÇÃOZINHO DE ALGODÃO,
A MISTURA ERA SEMPRE BOA
CHAMAVA MEUS COMPANHEIROS
PRA PESCAR NO BREJO DA TABOA.

EU, PAULISTA
MEIO PORTUGUÊS, BUGRE, ESPANHOL
MAIS TIÃO MACALÉ E O MALHADO
DOIS BIGORRILHAS 'PONTA FIRME'
DOIS MINEIROS 'ATOPADOS'.

NO CAMINHO QUE A GENTE IA
A GENTE COLHIA
MANGA VERDE, GOIABA
MARIA-PRETA E CHICO-MAGRO
SÓ FRUTAS DO NOSSO AGRADO.

TUDO ALI A GENTE VIA:
O ANU NO LOMBO DO BOI
O BANDO DE BICO-DE-LACRE
O TIZIL E A CORRUÍRA NO MOITÃO
A ROLINHA NA PORTEIRA
O CORRE-CAMPO NO ESTRADÃO
ÁRVORES COM SUAS FLORES
O TEIÚ RONDANDO À BEIRA
SOB OS PÁSSAROS TRINADORES.

QUANDO EU ERA MENININHO
RODEADOR DE FOGÃO À LENHA
ENCHIA A PANÇA DE CAMBUQUIRA
UM GESTO ERA A SENHA
IR NADAR NO RIO PELADO
NA MIRA VOLTAR PRA COMER
DOCE DE ABÓBORA E MAMÃO
COM AÇÚCAR E COCO RALADO.

E QUANDO O GALO CANTAVA
IA BUSCAR MISTURA DA BOA
CHAMAVA MEUS COMPANHEIROS
PRA PESCAR NO BREJO DA TABOA.

COM BARRO NA PELE
A GENTE FICAVA NUMA BOA
MAS TINHA QUE SER DO BREJO DA TABOA
ARMAVA A ARAPUCA PRA PEGAR PREÁ
ERA SEMPRE DOIS OU TRÊS NO SAMBURÁ.

NO RIO A GENTE PESCAVA
COM CUPIM E BICHOCA
QUE A GENTE LEVAVA
ESCORREGANDO NA BIBOCA,
A GENTE ENCHIA A FIEIRA
DE TRAÍRA, ACARÁ E LAMBARI,
ANTES, NA CAMINHADA
NAS LAGOINHAS DA BEIRADA
QUANDO A RÃ PIMENTA PULAVA
E FAZIA 'TIGUM'
NÓS FINCAVA A MÃO NO BARRO
E ARRANCAVA A DANADA.

NOS LAGOS A GENTE ENTRAVA
COM CASCÃO NA SOLA DO PÉ
QUE ESPINHOS ENTORTAVA
ERA BARRO ATÉ A CINTURA
BARRO DE FAZER TIJOLO
ERA ÁGUA ATÉ O PEITO
MAS COM JEITO
PISOTEANDO A LAGOA
A ÁGUA A GENTE SUJAVA
OS PEIXINHOS BOIAVAM
AS COBRAS A GENTE 'APINCHAVA'
ERA SÓ PASSAR O PENEIRÃO
E CATAR MAIS MISTURA COM A MÃO.

NO FIM DE TARDE A GENTE VOLTAVA
CANTANDO MODA DE PESCADOR
TRÊS TOCOS PRETOS NA INVERNADA
ÁGUA FRIA DA BICA ALI ESTAVA
PRA SEDENTOS E INGÊNUOS
DA FELICIDADE NÃO SABERMOS SEU VALOR.

HOJE JÁ SOU TÃO VELHINHO
E VIVO CHORANDO À TOA
NÃO TEM MAIS MEUS COMPANHEIROS
NÃO TEM MAIS O BREJO DA TABOA.

(1978)


***

bigorrilha - sujeito fraco metido a valente
apinchava - jogava, tacava, etc.
cambuquira - sopa de broto de abóbora
ponta firme - que não falham, que não dão pra trás.

a velha balsa.





a velha balsa
romântica
com seus faróis
vem e vai
vai e vem
quantas caras
histórias
quantos destinos
vem e vão
vão e vem

tá lá o esqueleto da ponte
não haverá mais diálogos

a modernidade é fria e cruel
causa desconvívio

poucos irão se lembrar
da velha balsa
que unia dois pontos
e as pessoas...





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