TRÊS POEMAS




SOLIDÃO A DOIS

tinha uma ilha à frente
de minha solidão.

na minha solidão
tinha uma ilha

que foi tragada pelas águas
quando você me deu a mão.

há uma ilha que ficou pra trás.

nos ilhamos meio à multidão.

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A COLHEITA

da janela deste olhar infindo
há um chão desnudo após à respiga,

reverso do amor que outrora colhi

o lene rocio é teu toque em brasa
já é sem sentido nossa fadiga
se tu me perdeste e eu te perdi

restam raras espigas na casa
outra colheita não vemos daqui.

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IARA

teus cachos castanhos
olor de lavanda exala
meus frígidos sentires
meu pulsar embala

estás sob a árvore florida
costurando retalhos da vida
reino que guardo na retina

no galho alto tem um ninho
um filhote implume piando
lição de amor ensina
na ausência de teu lene toque

chegou o bico materno
seiva do fracote

nesse aquando
faminto externo
todo o vazio em mim
até fartar-me de teu dote

tu és meu alimento
iara do rio estelar
neste idílico pensamento
já sou o pássaro a gorjear


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Companheiros de Estrada & Amigos