sábado, 18 de outubro de 2014

gira sol.







Bira não vê a pira
de sua cremação indolor
dá o pira
e se atira
num banho de raios ultravioleta
que até da borboleta
rouba a cor

na cozinha enfurnada
erra no tempero
excede no sal

e lá do terreiro
vê a sala e o quarto
onde num reflexo
gira gira  sol

e se põe festeira
la pras bandas
da gafieira
com um homem mulato
do mato
com sapato de dançarino

nem se lembra do menino
que gira ao seu redor

ela precisa viver
deixar um pouco
a lida normal
sem retroceder
até o próximo carnaval

no vendaval da ilusão
vê-se sair pela rua
descalça
sem destino
com a flor
símbolo
de sua sofreguidão

largou pra trás a tristeza
pra ver o desfile
lá do pontilhão

 e se tinha um figurante
com a mesma ideia
mirando-a
com um girassol na mão



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