Na noite vestida


Na noite vestida
jaz a vela
simbólica da jura
de ser ela
a ferida, a cura
na hora fatídica
(prisioneira empírica)
de fragmentos errôneos
que só o tempo apaga
num lacrimejar
fosse ela o corpo presente
pro garoto pós-inocente
dizendo:
- pai, veja o sol nascente
e o negror dos meus dias
o que eles fizeram comigo
à distância que ora
de ti persigo
mas creio ainda ser teu amigo.
Na noite vestida
outra vela o garoto acendeu
e orou, orou, orou
até o tempo não ser nada
se não se deseja
apagar um pensamento.



(rehgge,1978)



***

Companheiros de Estrada & Amigos