domingo, 9 de novembro de 2014

a folha.





a paisagem é torta
a ponte de pau torto
idem

o rio 
um risco no declive torto
tal minha aorta 
desde o ventrículo esquerdo
se espraia
quais pensares amorfos
de mil males
refletidos em meu corpo esquálido
um tanto torto

reta é a flor d'água
onde boia o barquinho
levando meu rascunho
meu papel
meus sonhos
pra bem longe
não sei pra onde
tão frágil
que me faz pensar no sangue
jorrando pelas artérias
sem que haja uma resposta
às minhas indagações
tão próxima do destino fatal
no suspiro sombrio
que leva e traz
a vida e a morte num instante
como escrever um novo passo
numa folha em branco
pigmentada só  de pontos finais tortos
porque todas as ideias e palavras ora inexistem


***