com todo meu querer, quero-te





quero-te desmaquilada
molhada  despenteada
indefesa
tentada pela natureza
não tão bela
sem a anatomia de tua beleza

quero teu corpo nu ao sol
sentir teu calor virginal
ouvir ondas em coral
pedir a éolo sopro leve
que não te leve
não venha em caracol
assediar minha bela
que só tem o céu como lençol

quero teu olhar felino
ser adulto demais
vê-lo como menino
sedento de teu suor
se o sal da terra é-me teu sal
num olhar tão meu
e se não fosse o teu
- pra mim -
de ninguém mais seria

'o que me importa
os ais e sais doutras meninas
se teu ser atrai-me como inseto
e te faz hospedeira
do meu mel irracional?'

quero-te sentir
te buscar no espaço neutro
pois meu viver preenches
 de incontido bom astral 
à fuga do tentacular reverso
a desprogramar nossos corações
fissurados
numa metáfora tola  de quem  ama

quero-te preguiçoso
sussurrar aos teus ouvidos
segredos escondidos
não quero detalhar
rodear
deter-me num só tema
meu tempo é escasso pra sonhar
mas saibas, querida
nosso lema
foi e sempre será
à liberdade amorosa
que minuto a minuto
podemos criar

quero-te
até a flacidez muscular
mesmo sem mais te provar 
tatear teu corpo
com a mesma doçura
centímetro a centímetro
em toques de canção madrigal
mas lembre-me de te entronizar
até os instantes findos
do fim se lembrar
que não caberia no infinito
se combalido
tanto amor
ainda poderia lhe dar

quero
ainda massagear tuas costas
devagar
ainda num olhar
correr longas estradas
sem me cansar
ter a experiência dos atalhos
pra todas as flores
em afã jovem te entregar,
roubar-te beijos inesperados
dormir o sono dos amantes
acordar
enganar a vida
viver hoje
antes, antes, antes...


***

Companheiros de Estrada & Amigos