sexta-feira, 21 de novembro de 2014

por detrás da cortina de meus olhos.










há um deusa
por mim amada
que faz morada
lá no cafundó

nas tardes vagueia
pra não deixar o vésper só

ela é a sereia
que nas margens da areia
tece teia
com os bichos em forró

há uma deusa
mirando minha guaia em toró
desde  seu barquinho espacial
sem ver que o sol inda clareia
meu sonho de tanto querê-la
como uma estrela
que de repente vira pó
assim assim
tal a areia da mó

há uma deusa
digna de minha esperança
lá no cafundó

 quando eu passar
pelo rio dos solitários
me prenderá 
e
na minha veia
cessará a sangria
nesse dia
terei pra dor a anestesia
o último ai dum nó
...
a ela cantarei
meus versos eternais
de notas bucólicas
do último idílico curió

ah
há uma deusa
minha dona
que na noite da lua só
me vem à tona
benfazeja
me abraça e me beija
tão telúrica
tão etérea
pois  sou pra ela
mais que seu príncipe
mais que seu xodó


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