quinta-feira, 20 de novembro de 2014

rosaflor.



a fina rosa incolor
que ao vento definha
na crosta de cimento
nasce dentro de mim
onde jamais nasceria
um vívido jardim
de cores teimosas sem fim

onde jamais eu veria
no vácuo
no oco  pensante
a fonte milagrosa
a regá-la
de lágrimas celestes,

e tu que não me deste
nem o  egoísta orgasmo
mas sim o pleonasmo
de ais que seguem comigo

veja a rosa de plástico
que fiz natural
tal sonho que me vem real
em capítulos

ó vida vida
não me deixe  morrer
no epílogo do livro
de enredo incoerente

ó vida vida
quanta rosa morrida
de repente
que até me atrevo
ver a vida nos  olhos
de quem passa
 e não te vê

no cimento nascida
da foto artística
tão mais bela que você
rosa
rosa dos ventos
rosa multicor
multidor
ao léu de minha direção
insistente
tal o não à morte

ó rosa ó vida
ó rosavida
incolorosa
multicolorosa
rosa de rosa
rosaflor
nunca morrerás
se me vejo em ti
e por ti
renasço renasci
num minuto de amor

oh, vida!
meu sonho mediúnico
sente o perfume

meu corpo desencarna
como a rosa falsa
que crio em desespero
no canteiro abandonado
de auroras esperadas

ó vida
como tem vida meu desejo infantil
tão pueril
que até me esqueço da velhice

mas na minha lápide
que se encime
a flor artificial
uma rosa sinônimo vital
que alguém
tão louco quanto eu
regue
sabedor que não há vida ali
somente uma ilusão



***