sexta-feira, 21 de novembro de 2014

visão relembrante.







palavras
através do tempo caladas
no ideário remoto
me vêm qual uma foto
de querubins tranquilos dormitando
nas cidades -- seus jardins
noutros
a guerra passando

recém-nascidos mecânicos
compõem as peças
da violenta rotina andante
mas vejo-os todos aos abraços
ingênuos nos braços à realidade moldar

no brincar dos adultos
brilha o palco dos contos ocultos
os de hoje são incontáveis
injustos
e as rodas infantis regresso
aos sustos
sem o pecar mundano
que não carrego nem peço


ser infeliz barra
não se sente
a mente mente
só mente
faz-me averso ao presente
de brincadeiras não recordar
pelo recordar por elas chorar
ante a montanhas bloqueadas
invisíveis no despertar das moradas
que à crescença mata no sonhar

no brio da minha idade
rebusco a troca de imagens
nas mentais paisagens
puras qual à fugacidade
de tê-las numa canção-mor
prum futuro melhor
em que a esperança
 a esperança que todo homem tem que ter
pra ser homem
e ver e ir avante
 pois somos todos crianças
numa visão relembrante

que bom seria
uma história imaginária
se  já  principia
a graça pueril do dia
sem a  fera bestial que nos alcança
ter-se visões relembrantes
no ser adulto/criança
e sê-la
na frigidez
antes



***

(poemas de minha mocidade, 1978)


***
Rehgge.