quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

ainda quantas vezes?








quantas vezes eu tenho reiterado
o dito, desdito traçado,
se para alguns sou casca grossa,
maldito, malcriado, mal-ajambrado;
para outros, às vezes, educado;

tenho as mãos finas;
o pensar, calejado;

uns me chamam de durão;
outros, de efeminado...
inveja deles tenho pensado;
não sabem conviver com a arte
que meu lápis tem rabiscado;

casca grossa, sim, um dia fui
sem sapatos do pé rachado,
e meu desejo era a vitrine fumê,
trancada a cadeado;
fui parido na miséria
desde a infância tenho trabalhado;
tenho resquícios da lixa áspera,
mas a seda fina, lisa,
por mim mesmo, criando,
tenho tateado;

e, se hoje reescrevo
até de meu fim anunciado,
é que sem querer fui escolhido
para ser o ímã da vida calado,
um canto desesperado
pra distrair-me das angústias,
dos presságios, das tolices;
pra achar no vazio
um sorriso inesperado

meio a dois mundos
que ora tenho dimensionado,
entre as facetas que me moldam
sem que ninguém tenha explicado
o por que do porquê, do porquê,
por quê?
se não se vê
que meus versos não são versos,
são pingos na folha,
de meu papel inconformado
em frases lacrimosas de hoje,
amanhã...
de tudo tentar entender,
de tudo e por tudo
que tenho envelhecido e passado.







***rehgge.